Cuiabá e a beleza dos extremos

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Cuiabá e a beleza dos extremos

(Marco ASA) – Sou paulista, que morou boa parte da vida em Campo Grande (MS) e que, há dois meses, escolheu Cuiabá (MT) para viver. Desde que cheguei, em apenas dois dias não “peguei” temperaturas acima dos 40 graus próximo do meio dia.

O que mais tenho ouvido é “você está louco?”, ou “como você está agüentando?”. Em Cuiabá tenho descoberto a beleza dos extremos.  É mais ou menos como questionamos a Deus sobre o por que da existência da dor. Ora, a dor existe para que valorizemos a ausência da dor.

Pois, tenho notado que, em Cuiabá, tenho encontrado mais gente feliz que em outras cidades, mesmo que a capital de Mato Grosso pareça uma panela de pressão. Notei que, se você mora em um local com o clima “normal” e com um regime de chuvas constante, isso é normal, e passa quase despercebido.

Em Cuiabá, não! Aqui todo mundo se interessa pela previsão do tempo. Qualquer chuva depois da estiagem, que refresque o clima, é comemorada como um gol. Os fenômenos climáticos em Cuiabá são grandiosos. A chuva chega com cheiro, as pessoas valorizam as sombras e, com certeza, por aqui tem pouca gente com deficiência de vitamina D, aquela que é produzida com a ação do sol no nosso organismo.

Em Cuiabá tudo tem cheiro. Ontem eu comi cajus perfumados colhidos das árvores do estacionamento do Centro de Eventos Pantanal. O cheiro do pé de manga carregado no quintal do prédio onde moro é delicioso. Quando se passa nas pontes sobre o Rio Cuiabá, ainda há aquele cheiro de peixe (se não cuidarmos, pode virar cheiro de esgoto).

O centro da cidade tem cheiros diferentes e sons típicos. Há lojas populares que atraem o público com remix de rasqueado e lambadão. E tem gente que  para dançar. A cidade é viva, solar.

Eu cheguei a pensar que, se fosse climatizada, Cuiabá seria a melhor cidade do mundo para se viver. Mas, pensei melhor. Se fosse climatizada, ficaria chata. O legal é sofrer com o calor, parar de “moage” e, quando chegar a chuva, sorver cada gota com os olhos.

Acho que os cuiabanos (nascidos e novatos, como eu) sentem-se, quando chega a chuva e o frio, como um londrino, acostumado com a chuva e o frio, sente-se quando o céu se abre e o sol toma conta de tudo. O prazer dos extremos.

Eu tive dúvidas quando cheguei em Cuiabá. Será que eu agüento? Não sei ainda. Só sei que Cuiabá é linda, o povo é legal e eu vou comprar um ar-condicionado. Mas, também, vou sair na chuva.

Marco ASA ou Marco Antonio dos Santos Araújo é jornalista, publicitário e escritor. Contato pelo e-mail portalautoasa@gmail.com

(Marco ASA) – Sou paulista, que morou boa parte da vida em Campo Grande (MS) e que, há dois meses, escolheu Cuiabá (MT) para viver. Desde que cheguei, em apenas dois dias não “peguei” temperaturas acima dos 40 graus próximo do meio dia.

O que mais tenho ouvido é “você está louco?”, ou “como você está agüentando?”. Em Cuiabá tenho descoberto a beleza dos extremos.  É mais ou menos como questionamos a Deus sobre o por que da existência da dor. Ora, a dor existe para que valorizemos a ausência da dor.

Pois, tenho notado que, em Cuiabá, tenho encontrado mais gente feliz que em outras cidades, mesmo que a capital de Mato Grosso pareça uma panela de pressão. Notei que, se você mora em um local com o clima “normal” e com um regime de chuvas constante, isso é normal, e passa quase despercebido.

Em Cuiabá, não! Aqui todo mundo se interessa pela previsão do tempo. Qualquer chuva depois da estiagem, que refresque o clima, é comemorada como um gol. Os fenômenos climáticos em Cuiabá são grandiosos. A chuva chega com cheiro, as pessoas valorizam as sombras e, com certeza, por aqui tem pouca gente com deficiência de vitamina D, aquela que é produzida com a ação do sol no nosso organismo.

Em Cuiabá tudo tem cheiro. Ontem eu comi cajus perfumados colhidos das árvores do estacionamento do Centro de Eventos Pantanal. O cheiro do pé de manga carregado no quintal do prédio onde moro é delicioso. Quando se passa nas pontes sobre o Rio Cuiabá, ainda há aquele cheiro de peixe (se não cuidarmos, pode virar cheiro de esgoto).

O centro da cidade tem cheiros diferentes e sons típicos. Há lojas populares que atraem o público com remix de rasqueado e lambadão. E tem gente que  para dançar. A cidade é viva, solar.

Eu cheguei a pensar que, se fosse climatizada, Cuiabá seria a melhor cidade do mundo para se viver. Mas, pensei melhor. Se fosse climatizada, ficaria chata. O legal é sofrer com o calor, parar de “moage” e, quando chegar a chuva, sorver cada gota com os olhos.

Acho que os cuiabanos (nascidos e novatos, como eu) sentem-se, quando chega a chuva e o frio, como um londrino, acostumado com a chuva e o frio, sente-se quando o céu se abre e o sol toma conta de tudo. O prazer dos extremos.

Eu tive dúvidas quando cheguei em Cuiabá. Será que eu agüento? Não sei ainda. Só sei que Cuiabá é linda, o povo é legal e eu vou comprar um ar-condicionado. Mas, também, vou sair na chuva.

Marco ASA ou Marco Antonio dos Santos Araújo é jornalista, publicitário e escritor. Contato pelo e-mail portalautoasa@gmail.com

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