OPINIÃO: Vocês realmente “compraram” a estória dos culpados pelo rojão?

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(Marco ASA) – Como diria um programa antigo de humor no rádio, “a gosma escorre lenta” no Brasil. Cada vez que assisto a mais uma insistente reportagem sobre a prisão dos “monstros” que mataram o cinegrafista da Band, Santiago Andrade, mais tenho certeza que os dois são “bois de piranha”. Primeiro pela sanha justiceira que tomou conta das emissoras, principalmente a Globo. Tá certo que a morte do cinegrafista é injustificável e foi terrível a perda de um profissional da comunicação cumprindo o seu dever. Mas, e as tantas milhares de mortes que acontecem no Brasil, não merecem também uma solução “CSI” tão eficaz?

Foi patético ver a Globo tentando provar  que era inverossímil  a teoria da conspiração que se espalhou na web, questionando ser o homem de camisa cinza o Caio da Silva Souza, preso na Bahia quando “fugia”, acusado de ter soldado o rojão que matou Santiago. Um especialista dizia, enfaticamente “é o Caio, é o Caio”. Nossa! Por que não há uma mesma sanha investigatória para provar que os ônibus queimados em São Paulo são, na verdade, ordens do crime organizado para desafiar o governo do estado, e não apenas manifestações? Dois pesos e duas medidas?

Na verdade, a morte de Santiago Andrade “caiu do céu” (desculpas à família e amigos, pois é uma perda irreparável) para quem ganha com a Copa, inclusive as redes que vão retransmitir os jogos com patrocínios milionários. O governo e o congresso (com “c” minúsculo, mesmo!) estão aliviados, pois poderão baixar leis fascistas contra manifestações e, assim, garantir um bom e lucrativo negócio (para a FIFA e seus comparsas), que é a Copa do Mundo.

Aliás, falando em Copa, cadê a cobertura da mídia no caso de acusação de utilização de trabalho escravo no estádio da Copa em Manaus? Cadê a cobertura ostensiva na busca pelos culpados pelas mortes de operários nas obras? Isso não tem importância? Isso é o que irrita no Brasil: a importância maior que alguns cadáveres têm, em detrimento a outros.

Uma morte é uma morte, e deve ser investigada e noticiada da mesma forma. Tá certo que, por aqui, temos mais mortos que em qualquer país em guerra, mas…

No Brasil, coisas absurdas viraram corriqueiras. O Deputado Bolsonaro disse, recentemente, que “no Maranhão, a única coisa que presta é o presídio de Pedrinhas” (!!!???!!!). Outro ilustre deputado, o senhor Alceu Moreira disse, em discursos para produtores rurais gaúchos, que o governo está “cheio de quilombolas, gays, lésbicas, tudo o que não presta” (!!!!????!!!!) Nem vou mencionar o que não presta, pois seria lugar comum. Além do que, vocês sabem, estão querendo controlar a internet também.

“A solução é alugar o Brasil”, como diria o mago-beleza Raul Seixas.

 Ah, é sempre bom lembrar. Falta menos de cinco meses para a Copa. Ueba!!!

Marco Antônio dos Santos Araújo, ou Marco ASA, é jornalista, publicitário e escritor. Autor dos blogs SiriReporter (https://sirireporter.wordpress.com) e AutoASA (http://autoasas.wordpress.com). Contatos: marcoasa2003@hotmail.com.

 

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