MÚSICA: A evolução do brega, de Alípio Martins a Daniel Peixoto

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(Marco ASA) – A música tem tantas vertentes que se dizer fã apenas de um ritmo ou estilo é deixar de lado muita coisa legal. Eu, por exemplo, tenho um gosto musical antagônico. No carro escuto Vivaldi, Smiths, REM, Paralamas, Nenhum de Nós e, para desgosto de muita gente, Calypso.

Falando em Calypso, não gosto apenas da música (serve para diversão de massa), mas de um movimento cultural surgido no Pará, que juntou Carimbó, calypso do Caribe e a guitarrada, um jeito de tocar próprio que se traduz em ritmos que até hoje são modernos.

O chamado brega paraense faz sucesso no norte do Brasil há muito tempo. Lembro de, em 1982, ouvir as músicas de Alípio Martins quando morava em Porto Velho. Aos 12 anos, achei aquilo diferente e legal. Além de ter letras “sacanas” (e que moleque não adora coisas sacanas, ainda mais naquela época, quando um palavrão era sinônimo de um “tapão” da mãe?), tinha uma levada moderna, insinuante.

Guardei aquilo na cabeça e, já adulto, vi com espanto o surgimento do technobrega, uma cultura subpop que, como tudo o que surge no Pará, independe do sul do Brasil para fazer sucesso. O mercado local existe de forma autônoma.

No entanto, via Nordeste e com um empurrão da Banda Calypso ( cujo planejamento de marketing, gravação e distribuição independente de discos é invejável), virou pop e ganhou o país. Depois, virou Cult.

Gabi Amarantos, Banda Uó e mais um monte de gente adotou a batida eletrônica contagiante para ganhar mercado. Agora, o brega virou Melody, mas continha sendo brega.

Um rapazinho do Ceará soube se apoderar disso e ganhou a Europa. Daniel Peixoto é um dos novos nomes da música brasileira que entra de cabeça sem culpa no technobrega sem querer “enfeitar o pavão” e se achar chique. O clipe do single “Flei” é simples e “besta”, como toda música de “dancinha” deve ser. Por isso, é bom. Já dá pra ver os gringos rebolando em uma boate italiana.

“Mas, não é só isso”, como diria uma propaganda. Daniel Peixoto é transgressor por abordar temas como a homossexualidade. Segundo Eduardo Araújo, assessor e produtor do artista, “o Daniel é transgressor no que faz. Abordar temas como homossexualidade, sexualidade em um país assim como nosso é um ato de extrema coragem. E ele ainda consegue divertir as pessoas com essa arte dele. Acho que isso chama-se carisma”.Confira o clipe:

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