OPINIÃO: A catarse coletiva ou a revolução brasileira

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La prise de la Bastille, le 14 juillet 1789 – par Jean-Baptiste LALLEMAND (Musée Carnavalet)

(Marco ASA / Mtb: 1.210-MS) – Hoje eu fiz questão de ir às ruas. Não porque queria parecer radical ou porque não tinha o que fazer. Fui para as ruas porque queria fazer parte de um momento histórico. E gostei de tudo o que vi. Demorei em encontrar um lugar para estacionar. O trânsito na Avenida Afonso Pena, principal Avenida de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, estava parcialmente interditado. Em uma rua paralela, o trânsito estava lento, mas (impressionante), não havia um motorista nervoso sequer. Parecia que todo mundo sabia que aquele momento era especial.

Pelo contrário. A cada grupo de jovens pintados, com bandeiras ou cartolinas, um buzinaço de apoio era ouvido.

Achei uma vaga e segui a pé para a Avenida Afonso Pena. Um grupo já subia na direção da Prefeitura. Peguei carona em outro grupo, que deu volta na Praça Ary Coelho, bem no centro da cidade.

A polícia tentou concentrar as manifestações na Avenida Afonso Pena. Tentou. Uma massa, na qual eu me encontrava, não queria mais ser “tocada” como gado. Invadiu o trânsito nas ruas 14 de Julho, 13 de Maio e 15 de Novembro, que contorna a praça, paralisando o trânsito.

Os manifestantes passaram por entre carros e ônibus. Naquele momento, confesso que pensei: “Os motoristas vão reclamar e vai ter quebra-quebra”. Teve nada. Os motoristas desciam do carro para tirar fotos e gritar brados de ordem, contra a classe política, onde estão os verdadeiros “inimigos”.

Não vi ninguém contrariado com a passeata. Olhava para cima e via família inteiras nos prédios acenando e aplaudindo.

Pude confirmar que o movimento não tinha motivação política. Aliás, é um movimento antipolítico. Sobrou pra todo mundo. Era “ei, prefeito, vai…”, “ei, governador, também”, “ei, presidenta”, sobrando xingamento para vereadores, deputados estaduais, deputados federais, FIFA. Na verdade, foi o momento do BASTA!

Segui a passeata até o momento que alguns começaram a detonar aquelas bombas de São João mais caras, que dão susto realmente grande. Mas, fui tranquilo, com aquela sensação de dever cumprido e de que fiz parte de um momento histórico, além de reforçar algumas certezas:

– O movimento não vai parar por aqui. Começou com ônibus, com passagens caras e serviços dignos de transporte de gado. Agora, querem a prisão de mensaleiros, o fim da PEC 37, a destituição do Deputado Feliciano da Comissão de Direitos Humanos, uma revisão total das obras da Copa, com punição para o desvio de dinheiro, investimento concreto em saúde e educação, a normalização dos serviços da prefeitura de Campo Grande e muitas outras reivindicações.

– O recado das ruas é: “Chega de desmandos. Acordamos”!

– A queda no preço das passagens revela que há muita gordura para cortar. Se não há, que cortem impostos. Se ainda assim não der, ESTATIZEM O TRANSPORTE PÚBLICO!

– O Brasil precisa de uma reforma política urgente. Deputados envolvidos com irregularidades devem cair, por bem ou por mal. E não venham dizer que não é assim, que não é assado, que não é fácil… O povo não quer nem saber. É só o começo. Se nada acontecer, não serão apenas passeatas. Ouçam o que eu digo!

– Essa história de uma administração assumir, parar um município ou um estado, alegando que a administração anterior fez isso ou fez aquilo, é pura balela. O povo não pode ser refém disso. Se há irregularidades, que se investigue! Mas, a população não pode ficar sem merenda, sem material escolar, sem anestesia no Centro de Zoonoses, sem remédio nos postos de saúde, em limpeza nos bairros, tudo porque o prefeito acha que tem coisa errada. Tem que trabalhar e investigar. Descobriu coisa errada, busque a punição!

– Outra medida imediata seria a redução no número de Ministérios. Criar quase 40 municípios para “enfiar” possíveis aliados da próxima eleição é brincar com o nosso dinheiro.

– O povo não entende também como o dinheiro para obras da Copa brota em árvore, enquanto não há um sistema eficaz que leve água para as vítimas da maior seca da história do Nordeste.

– O povo não entende como há dinheiro de sobra para pagar R$ 12 mil para o garçom do Senado, cujo orçamento anual é maior que muitas cidades, e o governo diz que não tem dinheiro para indenizar os fazendeiros cujas terras foram desapropriadas por pertencerem às comunidades indígenas.

– Ninguém entende para onde foi o dinheiro liberado para obras de transporte, saúde, educação, lazer e muito mais para a Copa e quase nada foi feito.

– O povo quer saber como as universidades federais não têm rede livre de internet, enquanto tanto dinheiro é jogado fora, inclusive no perdão da dívida de vários países e no investimento em outros países aliados ao eixo do governo federal.

– Ninguém entende como, por exemplo, o governo do Mato Grosso (do norte) não cuidou das estradas do interior, onde cidades ficaram isoladas, alegando falta de verba, e o rombo da Copa em Cuiabá é astronômico.

 – Ninguém entende como as crateras de Campo Grande, inclusive na Avenida Norte-Sul, não têm uma solução, com obras sempre adiadas.

Poderia escrever muito mais sobre os problemas que fizeram com que o povo ficasse de saco cheio. Mas, temos a certeza, tudo será diferente à partir de agora.

Notas:

– Por que a presidenta Dilma não foi à TV fazer um pronunciamento, dando uma resposta à população? Ela tem respostas?

– Por que partidos como o PSB aproveitam um movimento APOLÍTICO para lançar sua campanha contra o governo? Coincidência? Não. Oportunismo!

– Não é um questionamento, é uma afirmação: políticos tentando fazer parte de um movimento CONTRA políticos são totalmente desprovidos de discernimento.

Finalizando: amanhã posto as fotos de dentro da passeata. É que meu celular resolveu pifar.

Dê a sua opinião. Desabafe. Envie sua análise para marcoasa2003@hotmail.com com o título “minha opinião”.

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