Professor esclarece contratempos em viagem de grupo da UFMS para a Chapada dos Guimarães

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(Marco ASA) – Uma viagem de estudos de alunos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul -UFMS- teve momentos de pânico em Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. A excursão, com 43 estudantes, seguia por trilhas, quando uma aluna, do curso de biologia, começou a passar mal e teve paradas paradas cardiorrespiratórias, sendo que o grupo encontrou dificuldades para conseguir atendimento médico de urgência. 

A aluna foi salva graças a intervenção de um dos alunos do curso de Geografia, que trabalha no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Campo Grande e fez o primeiro atendimento com massagem cardíaca.

A notícia foi veiculada no site HiperNotícia, de Cuiabá e, segundo o Prof. Dr. Sérgio Ricardo Oliveira Martins, alguns fatos relatados não correspondem a verdade. Segue, na íntegra, as considerações do professor:

Com referência à matéria intitulada “Estudantes vivem momentos de pânico em Chapada dos Guimarães”, publicada por Hipernotícias em 04 de junho de 2013, da qual ainda resultou outras duas publicações em 5 e 6/06 pelo mesmo site de notícias, peço a atenção de V.S.ª para as considerações que faço a seguir.

1.    Primeiramente, quero deixar claro que ocorrências similares a que trata a referida matéria devem ser noticiadas, especialmente diante da necessidade de alertar aos órgãos e autoridades competentes sobre possíveis falhas e deficiências verificadas na visitação turística ou técnica ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (PNCG), e delas exigir providências para assegurar a proteção da natureza e, sobretudo, a segurança dos visitantes. A necessidade informar ampla e ostensivamente a sociedade é, sem dúvida, fundamental, mas é igualmente importante primar pela veracidade das informações publicadas, a fim de evitar prejuízos às vezes irreparáveis a pessoas e mesmo instituições diretamente envolvidas. E é exatamente com o intuito de esclarecer a V.S.ª (e, por seu intermédio, aos seus leitores) sobre os fatos abordados pela matéria, ora com afirmações incorretas, ora com afirmações distorcidas, que lhe dirijo as palavras que se seguem.

 

2.    Quem era o grupo e o que fazia no PNCG em 31/05/2013? O grupo era formado por 43 pessoas, sendo 1 docente e 38 estudantes do curso de Geografia da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia/FAENG, 2 secretárias e 2 tutores da Educação à Distância, todos da UFMS. O grupo estava realizando uma viagem de estudos que incluía uma visita técnica ao PNCG. Este tipo de atividade é inerente e fundamental à formação profissional em Geografia, sendo classificada como trabalho de campo, o que implica metodologia e planejamento. Portanto, todo o grupo foi previamente preparado e muito bem informado para a realização das visitas incluídas no roteiro, o que significa dizer que ninguém estava ali por diversão ou entretenimento, ainda que a disposição para se divertir e entreter seja inerente à juventude de qualquer grupo como o nosso. A preparação a que me refiro inclui um extenso roteiro metodológico que orientou as observações e registros a serem feitos pelos acadêmicos durante as visitas, além de levantamento de dados e reuniões realizadas com o intuito de conhecer e esclarecer sobre as localidades e pontos de interesse. Para a realização de cada viagem de estudo, em geral, são necessários de 3 a 5 meses de planejamento e preparação.

 

3.   Antes de percorrer a trilha do Caminho das Águas, devo destacar que fomos muito bem recebidos e atendidos no PNCG. A visita foi iniciada com um briefingpromovido pela bióloga Cintia Brazão, chefe do PNCG, oportunidade em que foram repassadas todas as informações e dados, oferecendo uma visão panorâmica do PNCG enquanto unidade de conservação, além é claro de seus principais atrativos naturais e turísticos. Fácil deduzir que este esforço por informar, inclusive com observações específicas sobre as trilhas e cachoeiras que o grupo percorreria, só poderia ter a finalidade de preparar os acadêmicos para aproveitar ao máximo a visita que fariam, além de garantir sua segurança.

 

4.    Até este ponto, quero concluir que no PNCG, no dia 31/05, não havia em nosso grupo nenhuma pessoa despreparada ou desinformada sobre as circunstâncias da visita, incluindo as normas da unidade e os riscos envolvidos.

 

5.      O que aconteceu de fato? Infelizmente, uma de nossas alunas passou mal a caminho da cachoeira das Andorinhas. Até o presente momento não se sabe ao certo. A informação de que ela teria sofrido 5 paradas cardiorrespiratórias não foi absolutamente confirmada pelos colegas que a atenderam, um dos quais, como assinala a matéria, integrante da Central de Regulação do SAMU/MS. O médico que a atendeu no hospital Santo Antônio, em Chapada dos Guimarães, afirmou que poderia ter ocorrido com ela uma crise de labirintite. Cerca de uma hora após sua entrada no referido hospital, onde recebeu soro, uma prescrição médica e recomendação para realizar exames específicos, a estudante foi liberada. Completo, o grupo retornou para Cuiabá.

 

6.    Neste momento, a estudante está realizando exames para avaliação médica, na tentativa de descobrir as possíveis causas que possam esclarecer com precisão o que houve. Portanto, qualquer afirmação com caráter conclusivo sobre as causas do mal súbito vivenciado pela nossa estudante é no mínimo precipitada.

 

7.     Houve ingestão de álcool? Do modo como esta afirmação se encontra no texto da matéria (“No dia anterior ao passeio, os estudantes haviam ingerido álcool e, segundo, Baldini, os guias estavam preocupados já que alguns estudantes estavam acima do peso.”), sugere-se fortemente, primeiro, que TODOS os integrantes do grupo teriam ingerido álcool e, segundo, que tal ingestão foi a ponto de preocupar os guias quanto às condições de seus integrantes de realizar o passeio. Neste ponto há pelo menos duas questões sérias a observar: a) sugere que o grupo estava alcoolizado, porque passara a noite anterior bebendo; b) a inaptidão do guia que fez tal depoimento, uma vez que guiou um grupo, por sua própria avaliação, sem condições físicas e fisiológicas de realizar a visita. Sem embargo, tal depoimento não poderia ter vindo de um guia de turismo com um mínimo de experiência profissional e respeito pelo seu grupo. Ao mencionar, sem dimensionar ou precisar, o consumo de álcool, o guia citado estabeleceu uma correlação direta com a ocorrência. Ou seja, alguém passou mal porque todos estariam “cheios de manguaça” (para cita um jovem que comenta a matéria no site), por conseguinte, ainda não recuperados de uma suposta bebedeira na noite anterior. E qual é a verdade sobre esta questão?

 

8.    De fato, uma pequena parte do grupo bebeu durante uma pequena confraternização, na noite anterior no hotel. Mas não houve nenhum excesso. De modo algum, havia alguém no grupo sem condições físicas de percorrer as trilhas e cachoeiras. Além disso, se havia um ou outro acima do peso, isso deve ser impedimento para alguém que deseja fazer o passeio? Acrescenta-se que nenhum guia se pronunciou “preocupado” com as condições do grupo, até porque estavam todos muito bem.

 

9.    Feitas as considerações, considero que a matéria publicada fere a dignidade de todo o nosso grupo e depõe contra um trabalho feito com prudência, seriedade e profissionalismo, e que mesmo assim não está a salvo do imprevisto sucedido. Mais grave ainda é afetar negativamente a imagem de uma instituição de ensino séria e reconhecida, como a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que figura entre as maiores e melhores do centro-oeste brasileiro.

Por fim, quero, em nome do grupo agora constituído de 43 pessoas prejudicadas e insatisfeitas com a referida matéria, pedir que, em prol de um jornalismo informativo, esclarecedor e responsável, V.S.ª providencie uma nova publicação com os devidos esclarecimentos, a fim de desfazer os mal-entendidos provocados pela primeira matéria citada. Portanto, não se trata de um pedido de retratação, mas de esclarecimentos aos leitores deste importante veículo de comunicação.

Atenciosamente.

 

Prof. Dr. Sérgio Ricardo Oliveira Martins

Geógrafo – Docente FAENG/UFMS

Coordenador da Viagem a Chapada dos Guimarães

67 8108-5662/9657-6463

http://geoufmscg.blogspot.com

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