“Nada se cria, tudo se transforma”; há 219 anos, Lavoisier era guilhotinado

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Lavoisier foi um dos maiores cientistas de todos os tempos

(Terra) – Quem acompanhava o programa de TV O Mundo de Beakman deve lembrar de um experimento no qual Beakman (interpretado por Paul Zaloom) mostrava diversas maneiras para apagar uma chama. Em uma delas, ele cobria uma vela acesa com um pote de vidro e, após pouco tempo, o fogo apagava. O motivo era que a própria combustão consumia o oxigênio do ar. Em outras palavras, sem oxigênio, não há fogo. E a descoberta do papel desse gás na combustão foi descoberta por um francês, morto há exatos 219 anos.

Antoine Laurent Lavoisier nasceu em 26 de agosto de 1743 em Paris. Filho de um próspero advogado, esperava-se dele que seguisse os passos do pai. Contudo, o parisiense se interessou pela ciência, inicialmente pela geologia. Após alguns anos, tomou gosto pela química, uma área considerada pouco explorada pela ciência até então.

Lavoisier ficou conhecido por derrubar teorias científicas. Talvez a mais famosa delas seja a do flogisto. Na época se pensava que a combustão envolvia a perda para o ar de uma substância que praticamente não teria peso, chamada de flogisto. 

Em 1777, o francês mostrou que a combustão e outros processos relativos (como a calcinação de metais) era resultado do oxigênio se combinar com outros elementos. Ele mostrou que a massa dos produtos da reação era igual aos que deram origem à ela. Era o princípio da conservação de massas, conhecido pela frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Hoje sabemos que as substâncias perdem sim uma quantidade minúscula de massa nas reações químicas ordinárias. Isso ocorre devido à perda de energia e, como Albert Einstein nos mostrou, a energia e massa são dois lados da mesma moeda – em outras palavras, a massa não é “perdida”, mas sim transformada em energia.

A relação entra Lavoisier e o oxigênio não para por aqui: ele ainda descobriu sua função na respiração, oxidação, reações químicas, o indicou como um dos constituidores do ar e ainda propôs seu nome – que vem do grego “oxys” e “genes”, “formador de ácidos”. O nome vem de um erro de Lavoisier: ele acreditava que o gás necessariamente formava todos os ácidos.

Lavoisier foi responsável ainda por diversas descobertas, como mostrar que, ao contrário que se pensava desde a Antiguidade, a água não era um elemento, mas uma substância composta de dois elementos – hidrogênio e oxigênio. Por toda a transformação que causou na ciência, foi chamado de “pai da química moderna”. 

Execução

Em uma decisão que lhe rendeu uma vida de riqueza e conforto, Lavoisier comprou ações da Ferme Générale, uma sociedade que cobrava impostos do povo. Por causa disso, os franceses odiavam os membros da Ferme Générale.

Com a revolução francesa, todos os membros da sociedade foram presos e passaram por julgamento. Cientistas de toda a Europa enviaram uma petição para que Lavoisier fosse poupado, mas o presidente do tribunal, Jean-Baptiste Coffinhal, recusou e proferiu uma frase que ficou marcada nos livros de história: “A França não precisa de cientistas.”

Em 8 de maio de 1794, aos 50 anos, Lavoisier foi condenado por traição e perdeu a cabeça na guilhotina. Seu corpo foi jogado em uma vala comum. O matemático Joseph-Louis Lagrange resumiu o episódio também em uma frase: “Não bastará um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair num segundo”.

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